Swing, prosa e o planejamento urbano participativo de Salvador

Realizado na Travessa São João, localizada no Engenho Velho da Federação, no dia 06 de novembro de 2014, o Swing e Prosa (Planejamento Urbano Participativo) teve como objetivo incentivar a participação cidadã e o controle social na revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador e na elaboração do Plano Salvador 500.

A ideia de se valer da música em combinação com o bate papo propiciou a participação de diferentes membros da comunidade local. O debate se iniciava a partir de perguntas previamente elaboradas e distribuídas por meio de sacos de pipoca, as quais se seguiam respostas ou comentários dos presentes. Tudo isto intercalado por músicas que faziam referência a aspectos da cidade e da cidadania.

Entre as perguntas estavam:

  • Você acha que tem poder para decidir sobre o destino da sua cidade? De que maneira?
  • Você sabia que a prefeitura está elaborando um plano para o desenvolvimento de Salvador e que você tem direito a ser ouvido?
  • Você acredita que as suas necessidades serão ouvidas pela prefeitura na elaboração do plano de desenvolvimento da cidade?
  • Você acha que como morador você pode contribuir tanto quanto um técnico da prefeitura? Por quê?
  • Como cidadão, de que forma você contribui para melhorar a sua Cidade?

Já entre os depoimentos, pôde se ouvir:

  • “Só começamos a saber o que está acontecendo quando participamos.”
  •  “Aqui não tem espaço nenhum para a juventude.”
  • “Sabia que tinha direito de falar só, de ser ouvido não.”
  • “Nós conhecemos de perto os problemas de regularização fundiária, drenagem.”
  • “Aqui precisa de uma séria de intervenções.”

Alguns moradores relataram a carência de vagas nas creches e a distância delas e dos postos de saúde, encontrados somente na Av. Cardeal da Silva. Comentaram ainda do problema de acessibilidade ao bairro, o que foi exemplificado com uma idosa que precisou se mudar por ter dificuldade de se locomover na área.

Houve relatos também a respeito da falta de união dos moradores “a gente se separa, gente não se junta”. Apesar de existirem diversas associações e projetos no bairro, elas trabalham em eixos separados, não se somam. “Vamos juntar e fazer uma coisa que vai ser boa para todos, não apenas na hora de se divertir, mas também para resolver os problemas do bairro”. Foi dito ainda da importância de socializar o conhecimento, já que muita coisa de positiva “aconteceu com o ‘dedo’ da população”.

Neste ponto, um importante fato citado foi a atual crise de referências no bairro. Foi dado o exemplo das associações de moradores do Engenho Velho e da Ladeira João de Deus que foram criados num período quando a comunidade entendia o conceito de unidade. “Ninguém fazia nada sozinho”, disse um morador.

Uma das questões distribuídas foi se a opinião do morador “é tão valiosa quanto a de um técnico da prefeitura”, a resposta dada: “não é tanto quanto, é muito mais”. “Não é a prefeitura que vai dizer o lugar que merece ser modificado, nós é que temos que dizer”, acrescentou outro presente.

Também foi citado o fato de que “a política”, na maioria das vezes, não está interessada de fato nas necessidades das comunidades e que no último plano diretor, por exemplo, a maioria das decisões e opiniões da população não foram acatadas.

Um dos pontos citados também foi a alta mortalidade dos jovens. “Engenho velho está entregue, as drogas, aos vícios”. “Todo mundo tem que participar e ver o que pode fazer pelos jovens”. “Nem dentro da casa estamos seguros”, foram falas ouvidas. Houve ainda quem comentasse da falta de participação dos pais na vida dos jovens e crianças

Durante as falas foi destacado o fato do bairro do Engenho Velho se incluir na subprefeitura denominada Barra/Pituba. Assim, foi reforçada o incentivo da presença deles na oficina bairro do Salvador 500 como fato importante para que as suas demandas também fossem ouvidas, já que elas concorreriam com as de bairros que costumeiramente recebem mais investimentos. Alguns moradores disseram que se pudessem decidir não gastariam tanto na orla da Barra, fariam mais investimentos no próprio bairro.

O encontro terminou com a apresentação de uma roda de capoeira formada por crianças moradoras do bairro e do grupo de hip hop: “A Turma do Bairro.

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