Segundo ciclo de oficinas de bairros do “Salvador 500” precisa corrigir problemas

O primeiro ciclo das oficinas de bairros do Plano Salvador 500 foi encerrado na última sexta-feira (12) com o encontro de São Caetano. Organizado para contribuir na formulação do diagnóstico da cidade por suas macro áreas, este ciclo condiciona a realização do segundo, que deve buscar traçar os cenários que a população deseja para a cidade.

Flip chart Cidade Baixa
Um dos flip charts da oficina que compreendia os bairros da Cidade Baixa

Nossa equipe acompanhou todas as 17 oficinas e tem críticas a fazer sobre os métodos adotados para a construção deste diagnóstico, assim como sugestões para um bom aproveitamento dos resultados alcançados e um melhor desempenho do ciclo seguinte.

Organizada em grupos de pessoas que apontavam pontos fracos e fortes, para em seguida enumerar oportunidades e ameaças nas localidades onde se realizavam cada um dos encontros, consideramos que as oficinas não foram, no mais das vezes, além de um quadro genérico da realidade de grandes áreas da cidade.

Cumpre destacar que:

♦ Organizadas por áreas muito abrangentes, nem todos os bairros de determinadas áreas se viram representados por sequer um de seus moradores;

♦ Sem divulgação adequada que se utilizasse de diversos meios de publicidade, foi baixa a presença na maior parte das oficinas, o que levou inclusive a alguns cancelamentos com posterior remarcação;

♦ O tempo dedicado à coleta de informações, muitas vezes, acabou por se demonstrar curto;

♦ De modo geral as informações coletadas não foram territorializadas, ou assim registradas pelos facilitadores. A ausência desta territorialização induz o resultado a um generalismo que desqualifica e pode gerar distorções nas informações coletadas, já que estas só fazem sentido no lugar aos quais se referem; 

♦ A metodologia nem sempre foi aplicada de modo uniforme, sendo que muitos grupos em diversas oficinas não trabalharam com a delimitação por temas (mobilidade, saneamento, segurança, habitação e etc.), o que empobreceu a coleta de informações. Nos grupos onde houve delimitação as informações foram mais detalhadas; 

♦ Os grupos de trabalhos e os facilitadores não contavam com a utilização de mapas e informações preliminares sobre os bairros, sobretudo da rede de serviços e equipamentos públicos existentes, o que impossibilitou contraposições e diálogos mais proveitosos e gerou o prejuízo de registros mais específicos; 

♦ Foi baixa a representatividade de movimentos sociais e culturais, com ausência de lideranças comunitárias que pudessem oferecer um visão mais complexa dos bairros assim como exercer mobilização para participação de outros moradores; 

♦ Não há clareza de como as informações coletadas nas oficinas serão utilizadas para elaboração do Plano Salvador 500

Assim, sugerimos como medidas para aprimoramento do segundo ciclo de oficinas:

♦ Apresentação dos dados do “diagnóstico”, tanto das oficinas como dos estudos da prefeitura, antes das discussões dos possíveis cenários para Salvador; 

♦ Formação dos facilitadores a fim de que conheçam bem a realidade das áreas onde ocorrerão as próximas oficinas; 

♦ Investimento em publicidade nos bairros, como carros de som, anúncios em rádios e jornais da comunidade, como forma de difundir o conhecimento da realização das oficinas;

♦ Mobilização das lideranças locais para envolvimento da comunidade; 

♦ Territorialização das informações, seja por rua ou bairro, a fim de evitar generalizações que não se estendem para todos os lugares; 

♦ Realização de uma terceira rodada de oficinas, que consolide os cenários futuros desejados para a cidade e os bairros, oferecendo oportunidade para que os moradores possam enxergar e pactuar os cenários desejados para a “Salvador do Futuro”. A realização de uma única audiência pública com esta tarefa, como previsto, se mostra insuficiente para tal demanda

Acreditamos que as críticas e sugestões aqui apresentadas, se levadas em consideração, podem contribuir para construir uma participação consistente no planejamento de Salvador. Desta forma, será enviado ofício¹ ao coordenador geral do Plano Salvador 500,  Sílvio Pinheiro, com estes e outros pontos levantados, aguardando por resposta que possa incorporar o que aqui está exposto.


¹_Texto do ofício

 

 

Um comentário em “Segundo ciclo de oficinas de bairros do “Salvador 500” precisa corrigir problemas

  • 2 de março de 2015 a 01:19
    Permalink

    Participei da reunião da região de Itapagipe e, de fato, achei muito pouco representativa pela pequena quantidade de participantes. A divulgação foi péssima e o convite que chegou até a minha instituição foi tão pouco explicativo que compareci apenas porque tenho grande curiosidade por tudo aquilo que diz respeito a região. Mas, na verdade, não sabia exatamente do que se tratava e, por este motivo, não pude contribuir com a mobilização de lideranças locais como de costume faço, muito menos de levar subsídios fruto de processo coletivos locais já realizados.

    Na região há um processo de organização comunitária antigo e permanente que já resultou na elaboração de dois planos referenciais de desenvolvimento para o território elaborados com participação ampliada da comunidade e do qual constam os dados que poderiam ser assimilados por esta primeira oficina. Tenho certeza de que vários técnicos da FMLF detêm informação sobre a existência desse Plano, mas não sei porque razão o desconsideram. Alguém pode me esclarecer?

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