Considerações sobre o projeto “Ouvindo Nosso Bairro”

Mesmo sem ligação com o processo de planejamento estratégico da cidade – “Plano Salvador 500, revisão do PDDU e LOUOS” -, a equipe do Participa Salvador vem acompanhando algumas das reuniões do projeto da prefeitura intitulado “Ouvindo Nosso Bairro”, que foi lançado em janeiro deste ano.

Sem deixar de reconhecer a boa intenção da prefeitura em buscar um caráter participativo para sua administração, não está claro nem assegurado que as consultas de fato irão definir futuras intervenções nos bairros. Ademais, o levantamento destas demandas não pode se dar apenas em reuniões isoladas, ignorando reivindicações trazidas por articulações populares historicamente constituídas.

A fim de ilustrar outras críticas, vamos tomar o encontro no bairro do Garcia, no dia 10/01, um dos quais participamos. Durante a apresentação inicial a atividade chegou a ser tratada com uma forma de orçamento participativo, pois dentre as prioridades ali apontados pela população sairiam escolhidas dez obras a serem executadas.

No entanto, foi dito que a escolha destas dez obras ficaria a cargo de uma consultoria a ser contratada para tabular as informações colhidas, o que significa que a decisão não ficará de fato com a comunidade. Além disso, não restou nenhuma forma de controle, pois não houve como os participantes guardarem nenhum registro dos “produtos” obtidos no evento.

Não há, portanto, garantia de que as prioridades apresentadas pelos moradores serão de fato aquelas a serem atendidas.

Faz-se importante destacar, por estas e outras razões, que não se deve confundir o escopo do “Ouvindo Nosso Bairro” com o processo de planejamento estratégico que se colocou em curso na cidade: “Salvador 500, revisão do PDDU e LOUOS”.

No caso do “Nosso Bairro”, trata-se de colher informações junto aos moradores sobre obras necessárias para as localidades, como é o caso da construção de escolas, quadras esportivas, contenção de encostas, passeios e outros. Mas isto não está integrado a um plano estratégico ou a elaboração do novo plano diretor da cidade.

É preciso assinalar também as deficiências na divulgação destas reuniões, assim como o pouco tempo realmente dedicado em cada encontro para colher as informações, crítica esta que também endereçamos ao primeiro ciclo de oficinas do “Salvador 500”.

3 comentários em “Considerações sobre o projeto “Ouvindo Nosso Bairro”

  • 26 de janeiro de 2015 a 15:11
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    Realmente, estive presente e pude constatar a mesma impressão que este articulista…ademais, os problemas da cidade já estão há muito mapeados…apesar de sempre necessário ouvir o contribuinte, os problemas são tantos que se a Prefeitura fizer apenas o que já está estabelecido pela LOUOS e PDDU, além de executar as obras necessárias de forma transparente através de um processo licitatório honesto, certamente a cidade irá agradecer e esquecer João Henrique…

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  • 27 de fevereiro de 2015 a 22:48
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    Concordo com as críticas expostas e gostaria de registrar algumas outras aqui. Participei de duas oficinas na Península de Itapagipe, e em ambas foram dedicados apenas 20 minutos ao trabalho de grupo para agregar as demandas individuais. Pouco tempo. As opções das fichas previam obras pontuais, que muitas vezes não correspondiam e muito menos esgotavam as demandas dos moradores (no âmbito das competências da Prefeitura). Como exemplo: não se falava em rearborização em lugar nenhum. Acho também que as necessidades dos bairros não podem ser abordadas tratando-os como ilhas independentes.

    A abordagem dessas oficinas estimula uma visão de imediatismo que confunde a população acerca da necessidade de um planejamento adequado e de uma análise aprofundada dos problemas urbanos. Não foi explicado à população como esta iniciativa está ligada à discussão de PDDU e LOUOS.

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    • 2 de março de 2015 a 01:15
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      Cara Lorena, não há ligação entre a escuta do “Ouvindo nosso Bairro” e a elaboração do novo PDDU e LOUOS de Salvador, isto está claro também no texto.

      A perspectiva utilizada para coletar as informações no projeto Ouvindo Nosso Bairro não esteve a serviço do planejamento diretor da cidade. Além disso, não há registros disponíveis e publicizados destas reuniões que sirvam como garantia para o controle social do que se propôs e ainda menos do que não se propôs a debater.

      Siga participando!

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