Como funciona a comunicação do Plano Salvador 500?

Baixo número de participantes nas últimas quatro audiências públicas que discutem os rumos de Salvador nos fez questionar as estratégias de comunicação da equipe do Plano Salvador 500 pra atingir e estimular a participação da população da capital.

Nas próprias diretrizes publicadas no site do Plano Salvador 500 está bem claro e posto: “A linha mestra adotada pela Prefeitura é construir o plano de forma democrática e participativa. Não é simplesmente ouvir todos os segmentos da sociedade, mas envolvê-los na construção desse ideal. Fazer de cada cidadão agente de transformação da nossa cidade. Para isso estão previstos diversos espaços de mobilização e participação, como as Oficinas de Bairros, Audiências Públicas e os Fóruns Setoriais e Temáticos.”

Desde o início destas ações,  o que se vê são plenárias com poucos representantes da sociedade civil – pessoas “avulsas”, não vinculadas a nenhum grupo ou movimento, mas que vivem na cidade de Salvador e são igualmente afetadas pelas questões que aqui pretendemos discutir. O que vemos são oficinas de bairro, ferramentas bastante importantes para se aproximar das pessoas, canceladas por falta de quorum. De tudo isso, resulta uma representatividade que questionamos, especialmente depois do bloco de audiências que discutiu o Relatório de Caracterização Anual, diagnóstico da cidade de Salvador que se pretende condutor dos processos e ações que resultam no Plano Salvador 500 – auditórios com uma média de 70 pessoas, entre os quais técnicos da arquitetura e do urbanismo. Esta situação nos inspirou a fazer uma breve análise da comunicação da PMS e compartilhamos aqui com vocês.

PRESENÇA DIGITAL DA PMS

Sabemos que as possibilidade de atingir o público em massa são várias, e que a PMS tem vasto conhecimento sobre elas. Como é possível verificar no canal do YouTube da Prefeitura, vídeos institucionais são sempre produzidos, enaltecendo as suas ações, e não há nenhuma produção neste sentido para explicar a população a importância de comparecer a audiência pública e construir o PDDU em conjunto, estimulando sua participação.

A página do Facebook, criada apenas no dia 21 de maio de 2015, conta com 329 seguidores até esta data e limita seu conteúdo a posts sem profundidade sobre nada, com cards genéricos chamando a população a comparecer às audiências. Nem mesmo o uso de posts patrocinados foi feito. Não há esclarecimentos sobre o que é o Relatório da Fipe, muito menos sobre a importância deste documento ser discutido e suas consequências se aprovado.

ajude a construir
Exemplo de card publicado no Facebook do Plano Salvador 500 – genérico e sem maiores informações sobre a ação.

 

Há também um perfil no Instagram, criado no dia 11 de junho de 2015, mesma data da 3ª audiência pública, que teve como pauta as diferenças e relações entre o Plano Salvador 500, o PDDU e a LOUOS. Com um conteúdo que quase reproduz o que há no Facebook, ainda é um perfil sem muita expressão, inclusive pelo número de seguidores.

Por fim, o site oficial do Plano Salvador 500, que segundo a PMS está passando por modificações, mas que neste momento encontra-se com alguns problemas estruturais, e um deles muito sério: todo o conteúdo postado de documentos não está datado, dificultando qualquer tipo de consulta por parte da população. Como saberemos se os documentos foram publicados dentro do prazo estabelecido pelo regimento, se não tem data da publicação? A agenda encontra-se desatualizada, a aba notícias conta com somente um texto de cobertura, onde a PMS salienta a presença de mais de 600 pessoas no ciclo de cinco fóruns temáticos. Ou seja, através da equipe de comunicação da PMS não é possível saber como aconteceram e que resultado trouxeram as suas ações.

Página de Agenda no site do Plano Salvador 500: desatualizada em 17/06/15
Página de Agenda no site do Plano Salvador 500: desatualizada em 17/06/15

Na aba que se pretende como cobertura das ações das oficinas de bairro, por exemplo, encontram-se apenas gráficos e listas simplistas de “pontos fortes e pontos fracos”, sem apresentar nenhuma análise do que foi decidido ali em conjunto – se é que algum esforço foi feito neste sentido, não temos como saber. Veja aqui, como exemplo, a página sobre a oficina em Ilha de Maré.

PLANO DE COMUNICAÇÃO E MÍDIA

Um plano de comunicação deve ser pensado e seguido à risca por qualquer instituição que queira estabelecer um diálogo claro e direto com seu público. Se estimular e contar com a participação popular é a meta da PMS para o Plano Salvador 500, é importante que ela tenha uma plano de comunicação e mídia.

O plano de comunicação define as diretrizes que vão guiar o discurso e as ações de produção de conteúdo sobre o Plano Salvador 500 – estrutura e conteúdo do site, monitoramento das mídias sociais, interação com o público, ações que promovam o engajamento da sociedade civil. Já o plano de mídia diz respeito aos anúncios pagos para divulgação em meios como televisão, rádio, busdoor e outdoor, de amplo alcance, que a PMS já costuma usar normalmente.

Como não temos acesso ao plano de comunicação da Prefeitura, não temos como avaliar as ações e o seu alcance, apenas sabemos dos seus resultados: não têm alcançado os principais interessados na discussão do PDDU, a população de Salvador, e especialmente os movimentos sociais. Na última audiência, solicitamos a publicação do plano, para que pudéssemos compreender os esforços empreendidos no objetivo de estimular a participação popular nas audiências públicas e outras ações da construção do Plano Salvador 500. A Prefeitura afirma que veiculou spots de rádio e busdoor, mas de fato precisamos de um relatório de ações e prestação de contas dessas ações para avaliação.

Diante desta solicitação feita em audiência pública, o secretário Silvio Pinheiro afirmou que uma equipe de comunicação ainda está sendo contratada para o Plano Salvador 500, e que tão logo o novo site esteja no ar, o plano de comunicação estará disponível. Aguardamos.

 

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