Confira análises críticas sobre diagnóstico utilizado para nortear o Plano Salvador 500

Em junho de 2015, a Prefeitura Municipal de Salvador (PMS) convocou mais três audiências públicas para discutir o Relatório de Caracterização Atual, produto de uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – Fipe. Este documento, encomendado pela PMS, consiste em um diagnóstico da cidade de Salvador, em seus mais diversos aspectos urbanos, com o objetivo de nortear as ações que culminam no novo projeto de lei do PDDU e no Plano Salvador 500.

O Participa Salvador convocou especialistas das áreas de Planejamento Urbano, entre arquitetos, urbanistas, sociólogos e juristas, para analisar todos os itens que compõem as 517 páginas do Relatório. Houve uma unanimidade no que diz respeito à inconsistência da pesquisa, que se baseia em dados secundários e defasados, não representando um diagnóstico real sobre a situação urbana de Salvador. Durante a 4ª, 5ª e 6ª audiências, as fragilidades do documento foram apresentadas à mesa diretora e discutidas entre os presentes.

A partir de hoje o Participa Salvador disponibiliza o conjunto de pareceres técnicos sobre o Relatório de Caracterização Atual, documento esse que foi entregue à Prefeitura Municipal de Salvador, em nome do Fórum A Cidade Também é Nossa, na ocasião da 6ª audiência pública, em 16/06/2015. Neste mesmo dia, a PMS se comprometeu a agendar uma nova audiência para apresentar novo diagnóstico, revisado e reformulado pela Fipe, a fim de que a população soteropolitana tenha certeza sobre a qualidade dos estudos que vão fundamentar as diretrizes do planejamento urbano da cidade.

Inaiá Maria Moreira de Carvalho (item 4.6 às conclusões do item 5.5)

 

Para o item do relatório que se refere aos aspectos sócio-econômicos e demográficos, a parecerista convidada foi Inaiá Carvalho, professora doutora em Sociologia e referência na área. Para ela, o diagnóstico encomendado pela Prefeitura precisa ser complementado e modificado, assumindo um caráter mais analítico e aprofundado, se pretende servir de base para o novo PDDU.

Segundo a análise da professora e pesquisadora, o relatório apresenta problemas de metodologia e se caracteriza pela superficialidade. No diagnóstico sócio-demográfico, por exemplo, a Fipe sequer apresenta a pirâmide demográfica do município, com a distribuição da população por faixas de idade, essencial para a definição e implementação de políticas públicas.

Além disso, já que a Fipe enfatiza a intenção de “reduzir as desigualdades” entre os objetivos do Plano, a maior limitação do diagnóstico no aspecto sócio-econômico é não explorar como essas desigualdades se apresentam no território urbano e no que poderia ser denominado como as três “cidades” de Salvador, ou seja, a Orla Atlântica, o Miolo e o Subúrbio Ferroviário.

Confira na íntegra o parecer sobre os aspectos sócio-econômicos e demográficos do Relatório da Fipe, por Inaiá Carvalho.

Conheça o Relatório de Caracterização Atual encomendado pela Prefeitura de Salvador à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *