Ronaldo Lyrio assina parecer sobre dados climáticos e ambiente urbano

O geólogo Ronaldo Lyrio foi o especialista convidado pelo Participa Salvador para avaliar o diagnóstico da Fipe sobre os itens referentes aos dados climáticos e ambiente urbano em Salvador. Segundo ele, o documento se limita a uma coleção de dados dispersos, que não se traduzem em conhecimentos minimamente necessários para se pensar a cidade de Salvador em termos urbanísticos. As representações cartográficas são de baixíssima qualidade, com mapas sem legendas, dificultando a leitura e compreensão dos mesmos. As compilações de trabalhos pré-existentes não uniformizam conceitos e muitos temas se repetem de forma inconsistente, em diferentes capítulos. Além disso, as pesquisas realizadas são um apanhado de dados sem qualquer tipo de interpretação ou conhecimentos pertinentes para o planejamento territorial de uma cidade.

No sentido de colaborar com o processo do Plano Salvador 500, Lyrio ofereceu algumas sugestões apontando para alguns aspectos fundamentais deveriam se contemplados no documento:

  • Avaliar os impactos do aumento de densidade populacional decorrente da proposta de verticalização da orla Atlântica, sobre a infra-estrutura de serviços públicos (água, esgoto, coleta de lixo, etc…)
  • Apresentar estudo específico sobre capacidade de fornecimento de água para a orla marítima, considerando as adutoras existentes e o aumento de densidade demográfica proposto para as áreas próximas a orla Atlântica.
  • Avaliar os impactos da verticalização e adensamento da orla marítima Atlântica, sobre o tráfego de veículos nas Avenidas Paralela e Otávio Mangabeira;
  • Avaliar a capacidade do sistema de coleta e disposição final dos resíduos sólidos da cidade de Salvador, considerando que a cidade produz aproximadamente 1 milhão de toneladas de lixo por ano, que são enterrados no Aterro Metropolitano Centro, em desacordo com a Lei Federal 12.305, que define e regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
  • Avaliar os impactos ambientais do crescimento urbano da cidade sobre os mananciais de abastecimento, notadamente os relacionados a programas habitacionais do Governo, sobre o sistema de abastecimento Joanes – Ipitanga;
  • Avaliar os efeitos da ocupação espontânea da região central do município (Miolo de Salvador), sobre os cursos d´águas e seus impactos sobre a balneabilidade das praias;
  • Avaliar as políticas governamentais de controle e prevenção de riscos naturais, associadas a deslizamentos de terra e inundações, já que estes eventos se repetem sazonalmente, gerando danos irreparáveis para a cidade;
  • Avaliar a qualidade da infra-estrutura urbana e serviços públicos, nas áreas compreendidas entre a Av. Paralela e a orla marítima da Baía de Todos os Santos e os impactos sobre a saúde dos moradores destas áreas;
  • Apresentar a distribuição territorial das diferentes classes sociais, avaliando as condições de mobilidade e acessibilidade, dos segmentos mais pobres, aos centros econômicos geradores de emprego e renda

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