Análise crítica do Relatório “Salvador do Futuro”

Novo produto do PDDU e Salvador 500 tem falhas metodológicas

Convidado pelo Participa Salvador, o professor Fernando Alcoforado, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, fez uma análise crítica do Relatório “Salvador do Futuro: Território da Inclusão e das Oportunidades”, o mais novo produto da elaboração do Plano Salvador 500, do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e da Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo de Salvador (Louos).

Segundo a Prefeitura Municipal, o relatório teve o objetivo de apresentar uma visão estratégica de Salvador para 2049, discutindo cenários e estratégias nas áreas econômica, social e urbanística e visando um desenvolvimento sustentável para a capital baiana. Mas, de acordo com o especialista, o relatório não contempla nos seus devidos termos o desenvolvimento sustentável de Salvador.

Fernando Alcoforado destaca que cidades sustentáveis trabalham por um desenvolvimento econômico e social compatibilizado com o meio ambiente natural e construído; têm como diretriz o ordenamento e controle do uso do solo, de forma a evitar a degradação dos recursos naturais; têm políticas claras e abrangentes de saneamento, gestão das águas, transporte de massa com qualidade e segurança; ações que preservem e ampliem áreas verdes e uso de energias limpas e renováveis, além de uma administração pública transparente e compartilhada com a sociedade civil organizada. “Estas políticas não estão devidamente contempladas no documento”, critica.

O cientista também afirma que o Plano Salvador 500 não considera os impactos que as mudanças climáticas poderão trazer para a cidade, a fim de adotar medidas preventivas ou de precaução para minimizá-los. Assim, Salvador estaria a exigir um planejamento estratégico de longo prazo com base no desenvolvimento sustentável sem que essa fosse a prioridade da Prefeitura Municipal.

Outros pontos falhos seriam o fato de o planejamento estratégico não considerar a integração de Salvador com sua região metropolitana e as ameaças de natureza econômica e ambiental que podem comprometer seu desenvolvimento, além de não estabelecer hipóteses plausíveis sobre os cenários de desenvolvimento apoiadas em cenários de evolução da crise econômica mundial, brasileira e do estado da Bahia. “Essa falha metodológica faz com que os cenários e estratégias propostos para o desenvolvimento de Salvador não tenham consistência”, aponta.

Confira a análise crítica sobre o Relatório “Salvador do Futuro: Território da Inclusão e das Oportunidades”.

Acesse aqui o Relatório “Salvador do Futuro: Território da Inclusão e das Oportunidades”

A audiência pública do dia 19 de setembro irá apresentar e discutir o conteúdo deste relatório.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *